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Factores que modificam a estabilidade dos medicamentos:
Quando se realiza uma Mistura Intravenosa (MIV),
alteram-se de forma significativa todas e cada uma das características
dos seus componentes, e por isso é necessário conhecer as
consequências relativas à perda de actividade ou ao aparecimento de
toxicidade.
Por outro lado, nem sempre que se prepara uma mistura, a mesma se
administra de forma imediata ao doente, pelo que é necessário conhecer
os factores que podem afectar a sua estabilidade, salientando-se:
-
Natureza e
concentração do medicamento;
-
Composição e pH do
solvente;
-
Perfis de pH e
velocidade de degradação;
-
Natureza do recipiente
e da solução;
-
Temperatura;
-
Luz natural e outras
radiações.
Concentração
A concentração de um medicamento numa solução
vai condicionar, por um lado o tipo de degradação (hidrólise,
oxidação, fotólise) e por outro, a velocidade desta reacção. Na
maioria dos processos de degradação dos medicamentos em solução, a
velocidade da reacção é directamente proporcional à concentração do
princípio activo.
A estabilidade do trimetropim / sulfametoxazol varia com a
concentração final após diluição num veículo determinado. Se a
diluição for numa proporção de fármaco:veículo de 1:10 v/v é
preferível diluir em glicose a 5%. Contudo, se a diluição for numa
proporção de 1:25 v/v pode ser usado como diluente quer a glicose a
5%, quer o cloreto de sódio a 0,9%.
pH da solução
A maioria dos fármacos são suficientemente
estáveis para valores de pH compreendidos entre 4 e 8, quando
administrados no período de tempo conveniente. Contudo, não devemos
esquecer que fármacos formulados a valores de pH mais extremos podem
conduzir a uma rápida decomposição de outros fármacos, se
administrados na mesma solução.
Com vista à diminuição reacções de degradação, adiciona-se à
formulação um tampão para manter um pH apropriado.
Os valores de pH da solução de glicose a 5% variam entre os 3,5 e os
6,5, dependendo dos ácidos de açúcar presentes, formados durante o
processo de esterilização e armazenamento do produto. Para evitar
incompatibilidades após a adição de fármacos, este valor baixo de pH
deve ser considerado. Na Tabela 1, apresentam-se "guidelines" gerais
que relacionam as propriedades ácido/base e o valor aproximado de
pH.
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Tabela 1
- "Guidelines" gerais relativas a valores de pH. |
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Solução de um sal de: |
Tem um valor
aproximado de pH: |
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Ácido
forte e base fraca |
3,0 -
5,5 |
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Ácido
forte e base forte |
7,0 |
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Ácido
fraco e base forte |
8,5 - 11 |
|
Ácido
fraco e base fraca |
4,5 -
9,5 |
Tipo de Recipientes
Os materiais de plástico mais usados na
constituição dos recipientes de soluções injectáveis de grande
volume são estruturas moleculares, de natureza orgânica e de alto
peso molecular obtidos por polimerização. Existem 4 tipos:
polietileno (PE), polipropileno (PP),
cloreto de polivinilo (PVC), etilenvinilacetato (EVA). Não sendo
produtos inertes, podem interactuar com os medicamentos com que são
postos em contacto, dando origem a processos relacionados com a
permeabilidade, remoção, absorção e/ou adsorção e reacções químicas.
A passagem dos constituintes voláteis de determinadas moléculas de
fármaco para o exterior, faz com que ocorram perdas de fármaco.
Também pode suceder o inverso, com o oxigénio e outras moléculas que
podem passar para o interior do recipiente e causar degradação oxidativa ou de outros tipos com os constituintes susceptíveis. O
PVC permite a passagem de moléculas sob a forma de vapor de N2, O2,
CO2 e H2O, sendo recomendado os recipientes Viaflex® comercializados
com bolsas protectoras de PE, impermeáveis à água, a fim de evitar a
concentração dos componentes durante o processo de armazenamento.
Alguns fármacos removem o Dietilhexilftalato e outras partículas
materiais dos plásticos podendo posteriormente precipitar. É o que
acontece com o Cremophor EL, surfactante usado no Paclitaxel, na
Ciclosporina e no Tacrolimus. A quantidade de plastificante
extraído, aumenta com o tempo de contacto e com a concentração do
medicamento.
Do ponto de vista de reactividade química os actuais produtos
plásticos podem, em geral, considerar-se inertes.
Efeito da temperatura
A temperatura é outra variável primária que
afecta a velocidade de degradação. De uma maneira geral, podemos
dizer que a cada incremento de 10ºC, corresponde um aumento na
velocidade da reacção de 2 a 5 vezes. Embora esta relação seja
passível de ser aplicada para muitos fármacos, não deve ser aplicada
de forma indiscriminada. A Tabela 2 mostra a percentagem de
degradação de Ampicilina Sódica a várias temperaturas, decorridas 4
horas e em solventes distintos.
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Tabela 2 - Percentagem de
degradação da Ampicilina sódica a várias temperaturas após 4
horas. |
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Diluente |
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Temperatura
ºC |
Glicose a 5% |
Cloreto de sódio
a 0,9% |
|
-20 |
13,6 |
1,2 |
|
0 |
6,2 |
0,4 |
|
5 |
10,1 |
1,0 |
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27 |
21,3 |
1,8 |
Exposição à luz
A fotólise ou fotodegradação é uma reacção
catalisada pela luz. Uma variedade de mecanismos de decomposição
podem ocorrer desde a absorção da radiação energética, sendo mais
prejudicial quando a energia concentrada nas ligações químicas é
suficiente para decompor ou re-arranjar uma entidade química nova. Entre os fármacos mais
susceptíveis de sofrerem fotodegradação incluem-se a Anfotericina B,
a Furosemida, a Dacarbazina, o Cloridrato de Doxorrubicina, o
Nitroprussiato de Sódio, a Vitamina A, a Vitamina K, as Vitaminas do
Complexo B, a Adriamicina, a Cisplatina ou a Daunomicina. A radiação
de maior comprimento de onda é a mais deletéria, consequentemente a
luz ultravioleta é mais deletéria que a visível e a luz directa é
mais prejudicial que a luz fluorescente. O melhor método para evitar
este problema, será o uso de papel de alumínio, plástico âmbar ou
outro invólucro opaco, revestindo o contentor por forma a impedir a
penetração de luz.
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